Ferrari Testarossa americana ou europeia: o que muda entre as versões?
A Ferrari Testarossa é um dos automóveis mais icônicos dos anos 1980. Poucos sabem, porém, que ela foi produzida em versões diferentes conforme o mercado de destino. A Ferrari Testarossa americana e a europeia compartilham o mesmo desenho da Pininfarina e o mesmo motor de doze cilindros, mas trazem diferenças técnicas e visuais que interessam a qualquer colecionador. A seguir, respondemos às perguntas mais comuns sobre o tema.
01. Por que existiam versões diferentes da Testarossa para os Estados Unidos e para a Europa?
Cada mercado tinha regras próprias de segurança e de emissões. Os Estados Unidos eram especialmente rigorosos, e a Ferrari passou a fabricar uma versão específica para atendê-los. Isso foi um marco: a Testarossa foi a primeira Ferrari de doze cilindros vendida oficialmente nos Estados Unidos desde o fim de 1973. A antecessora, a 512 BB, só chegava ao país como importação independente, quase sempre com modificações feitas depois da fábrica para atender à legislação.
02. O motor da Ferrari Testarossa americana era diferente?
Sim. Na especificação europeia original, o motor Tipo F113 A não tinha catalisadores e usava injeção Bosch K-Jetronic. As unidades destinadas aos Estados Unidos e ao Japão recebiam o Tipo F113 A 040, com catalisadores e injeção Bosch KE-Jetronic. Pelos números mais citados, a versão europeia declarava 390 cv a 6.300 rpm, e a Ferrari Testarossa americana, 385 cv. Os valores variam um pouco conforme a fonte. Com o tempo, versões europeias catalisadas também passaram a existir: entre 1989 e 1991, elas declaravam 381 cv.
03. Como identificar visualmente uma Ferrari Testarossa americana?
Algumas diferenças podem ser vistas a olho nu:
- Para-choques: por exigência de segurança, a versão americana tinha para-choques maiores, com grandes para-choques pretos na traseira. A europeia tinha peças mais discretas.
- Luzes laterais: a americana tinha luzes laterais retangulares e grandes na frente e na traseira. A europeia tinha pequenos piscas redondos atrás das rodas dianteiras.
- Luz de freio central: a terceira luz de freio foi introduzida nas versões americanas em 1986.
- Retrovisores: a Testarossa nasceu com um único retrovisor alto, do lado do motorista. Nos carros americanos, ele foi rebaixado em 1987, e um retrovisor do lado do passageiro foi acrescentado logo depois.
- Rodas: as versões americanas mantiveram rodas no padrão métrico TRX até 1989.
04. Como o número de chassi revela o mercado de origem?
O número de chassi (VIN) tem 17 caracteres e funciona como uma certidão de nascimento do carro. As Testarossa fabricadas para os Estados Unidos seguem o padrão “ZFFSG17A”. O décimo caractere indica o ano-modelo: a letra “M”, por exemplo, corresponde a 1991. As unidades europeias usavam outro padrão de codificação. Mesmo assim, a confirmação definitiva da especificação deve ser feita com a documentação de origem e a inspeção do carro.
05. Quantas Ferrari Testarossa americanas foram produzidas em 1991?
Não existe um número oficial publicado pela Ferrari. Um levantamento dos historiadores holandeses Edvar e Arvid van Daalen, citado pela RM Sotheby’s, estima que cerca de 266 Testarossa foram configuradas para o mercado americano em 1991, o último ano da Testarossa original. Para comparação, a família Testarossa, somando a 512 TR e a F512 M, chegou a quase 10 mil unidades entre 1984 e 1996.
06. O que era o “mercado cinza” das Testarossa?
Antes e durante a produção oficial, muitas Testarossa europeias foram levadas aos Estados Unidos por importadores independentes. Esses carros passavam por adaptações para atender às normas americanas, um processo chamado de “federalização”. A qualidade dessas conversões variava bastante, e por isso a origem e o histórico de cada unidade são tão importantes na hora da avaliação.
07. Qual Testarossa apareceu em Miami Vice?
A Ferrari doou duas Testarossa de especificação americana, ano 1986, à Universal Television para a série Miami Vice. O modelo passou a aparecer a partir da temporada de 1986 e virou um dos maiores símbolos da cultura pop da década.
08. Qual versão é a melhor escolha para colecionadores?
Não há uma resposta única. A Ferrari Testarossa americana tem a seu favor o caráter de versão oficial de fábrica para um mercado exigente e, nas unidades finais, a baixa produção. A versão europeia tem para-choques mais discretos e, nas unidades sem catalisador, o motor na configuração original de 390 cv. O que mais pesa no valor de qualquer exemplar é a combinação de originalidade, documentação, estado de conservação e histórico.
09. Onde encontrar uma Ferrari Testarossa americana no Brasil?
A RARO CLUB tem em seu catálogo uma Ferrari Testarossa 1991 com chassi no padrão do mercado norte-americano, carroceria branca, interior em couro caramelo, câmbio manual e placa preta. É uma das raras unidades americanas do último ano de produção do modelo, agora disponível no ecossistema RARO para colecionadores brasileiros.