Conhecido popularmente como “Saboneteira” ou “Zé do Caixão”, o Volkswagen 1600 foi um dos projetos mais diferentes já produzidos pela Volkswagen do Brasil. Lançado em 1968, adotava uma inédita carroceria de quatro portas, mantendo a tradicional arquitetura com motor boxer traseiro refrigerado a ar. Produzido por poucos anos, tornou-se um dos modelos nacionais mais difíceis de encontrar em bom estado de conservação.
Este exemplar reúne uma característica ainda mais rara: permaneceu na mesma família desde zero quilômetro. Adquirido novo em 1969 pelo avô da atual proprietária, chegou aos dias de hoje em sua segunda titularidade, preservando uma história de mais de cinco décadas de uso familiar. Trata-se de um automóvel cuja procedência é tão relevante quanto sua originalidade.
O carro conserva diversos componentes de fábrica, incluindo os vidros, rodas, calotas e o tecido original dos bancos, que permanece preservado, tendo recebido apenas o reparo das laterais do banco do motorista dentro do padrão original. A pintura foi refeita ao longo de sua vida, o assoalho substituído e toda a mecânica passou por revisão completa, mantendo o funcionamento correto do conjunto. Acompanha ainda manual, chave reserva e documentação antiga, reforçando sua procedência.
Hoje, o Volkswagen 1600 ocupa um espaço muito particular entre os clássicos brasileiros. Durante anos foi um modelo pouco valorizado, mas sua baixa produção, desenho singular e crescente interesse por exemplares originais fizeram dele uma peça cada vez mais procurada por colecionadores.
Lançado em dezembro de 1968, o Volkswagen 1600 foi o primeiro sedã de quatro portas da história da marca no Brasil, derivado de um protótipo alemão da linha Typ 3 que nunca chegou a entrar em produção na Europa. Seu desenho retangular e único no mundo — com faróis quadrados até 1970, quando foram substituídos por unidades redondas — rendeu ao carro dois apelidos que se tornaram parte do folclore automotivo nacional: “saboneteira”, mais comum no sul do país, e “Zé do Caixão”, nome que pegou em todo o Brasil por associação às formas angulares da carroceria e às maçanetas, que lembravam alças de caixão.
Apesar do visual pouco convencional para a época, o VW 1600 acabou conquistando um público inesperado: os taxistas, que valorizavam a robustez da mecânica a ar e o espaço interno generoso proporcionado pelas quatro portas — recurso inédito nos modelos populares da Volkswagen até então. Essa associação, somada à concorrência crescente de modelos como o Chevrolet Opala e o Ford Corcel, fez com que o 1600 fosse descontinuado já em 1971, depois de uma produção relativamente curta.
Justamente por seu ciclo de vida breve e pela alta taxa de sucata ao longo das décadas seguintes (grande parte dos exemplares remanescentes foi de fato utilizada como táxi, o que acelerou seu desgaste), o Volkswagen 1600 se tornou um dos clássicos nacionais mais raros de se encontrar em bom estado hoje em dia. Diferente do Fusca ou da Kombi, que tiveram produção massiva e sobrevivem em grande número, o 1600 é hoje um capítulo pouco explorado — e cada vez mais valorizado — da história automotiva brasileira.
Este exemplar, mantido pela mesma família desde a compra zero quilômetro em 1969, representa exatamente o tipo de procedência que torna um carro assim excepcional: não apenas um modelo raro de se encontrar, mas um que documenta décadas de uso genuíno e cuidado contínuo, características cada vez mais difíceis de reunir num único veículo.
| Marca/Versão | Volkswagen 1600 |
|---|---|
| Fabricação/Modelo | 1969, 1969 |
| Quilometragem | 54.000 km |
| Combustível | Gasolina |
| Câmbio | Manual de 4 marchas |
| Motorização | 1.6 Boxer 4 cilindros refrigerado a ar |
| Potência | 57 cv |
| Localização | Porto Alegre, RS – Brasil |
| Único Dono | Sim. (Mantido em família) |
| Placa Preta | Não. Apto à certificação pela FBVA (a ser emitida em nome do comprador). |
| Observações | – Bancos com tecido original de fábrica (laterais do banco do motorista refeitas dentro do padrão original) |
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